Trabalhando

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Sessão da Câmara Municipal

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A Reforma Protestante


Martin Lutero foi o líder deste movimento que deu início a diversos rompimentos com a Igreja Católica.
Martin Lutero foi o líder deste movimento que deu início a diversos rompimentos com a Igreja Católica.

          Durante a passagem do mundo medieval para a Idade Moderna, o conjunto de transformações nas relações de poder é de importante destaque para a compreensão das chamadas Reformas Protestantes. Ou seja, as Reformas Protestantes podem ser interpretadas como uma expressão das contradições da passagem do feudalismo para o capitalismo.
          Em toda Idade Média, o grau de intervenção da Igreja era de grande abrangência. O grande número de terras em posse da Igreja concedia uma forte influência sobre as questões políticas e econômicas das monarquias e reinos da época. Além disso, as novas atividades vinculadas à burguesia, principalmente no que se refere à prática da usura (cobrança de juros sobre empréstimo), eram consideradas de natureza pecaminosa.
          Sob outro aspecto, a grande prosperidade material da Igreja veio acompanhada de uma verdadeira crise de valores e princípios. O comércio de relíquias sagradas, a venda de títulos eclesiásticos e indulgências eram algumas das negociatas praticadas pelos representantes do clero. Além disso, várias denúncias sobre a quebra do celibato e a existência de prostíbulos para clérigos questionavam a hegemonia da Igreja.

          No Renascimento, as críticas à Igreja se manifestavam em diversos meios. As obras de Erasmo de Roterdã, Thomas Morus, John Wyclif e João Huss continham severas críticas aos problemas anteriormente apontados. Dessa forma, a transformações que se seguiam na Idade Moderna trouxeram à tona a criação de instituições religiosas com uma diferente base doutrinária cristã. Entre essas novas instituições podemos destacar o Luteranismo, o Calvinismo e o Anglicanismo como exemplos das novas religiões protestantes surgidas no século XVI.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


Martinho Lutero

Introdução 


     Precursor da Reforma Protestante na Europa, Lutero nasceu na Alemanha no ano de 1483 e fez parte da ordem agostiniana. Em 1507, ele foi ordenado padre, mas devido as suas idéias que eram contrárias as pregadas pela igreja católica, ele foi excomungado.

Idéias e doutrina

     Sua doutrina, salvação pela fé, foi considerada desafiadora pelo clero católico, pois abordava assuntos considerados até então pertencentes somente ao papado. Contudo, esta foi plenamente espalhada, e suas inúmeras formas de divulgação não caíram no esquecimento, ao contrário, suas idéias foram levadas adiante e a partir do século XVI, foram criadas as primeiras igrejas luteranas. 

     Apesar do resultado, inicialmente o reformador não teve a pretensão de dividir o povo cristão, mas devido à proporção que suas 95 teses adquiriram, este fato foi inevitável. Para que todos tivessem acesso as escrituras que, até então, encontravam-se somente em latim, ele traduziu a Bíblia para o idioma alemão, permitindo a todos um conhecimento que durante muito tempo foi guardado somente pela igreja. 

     Com um número maior de leitores do livro sagrado, a quantidade de protestantes aumentou consideravelmente e entre eles, encontravam-se muitos radicais. Precisou ser protegido durante 25 anos. Para sua proteção, ele contava com o apoio do Sábio Frederico, da Saxônia. 

     Foi responsável pela organização de muitas comunidades evangélicas e, durante este período, percebeu que seus ensinamentos conduziam a divisão. Casou-se com a monja Katharina Von Bora, no ano de 1525, e teve seis filhos.





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Apresentação


          Entre os factores que contribuíram para a explosão de 1517, as indulgências foram a centelha que a acendeu. A prática das indulgências era tradicional e significava a remissão dos castigos temporais impostos pela Igreja como sinal exterior da verdadeira contrição. Tais remissões de castigos, por vezes muito severos, eram praticadas desde o séc. VII. A comutação do castigo em penas pecuniárias era conforme às regras de remissão do Direito Romano. Ademais, costumava-se justificar o costume mediante a doutrina desenvolvida por Alexandre de Halles no séc. XIII, o Thesaurus Meritorum, ou seja, a acumulação num tesouro da Igreja das expiações supérfluas dos Santos. Numa palavra, a prática das indulgências era uma legítima concessão da Igreja ao ambiente cultural da sociedade, em ordem ao progresso da Cristianização. O abuso inicia-se com a incompreensão popular das indulgências como remissão da culpa e não exclusivamente como remissão do castigo temporal, em particular com a compreensão das indulgências plenárias como remissão da culpa futura. Em termos populares, as indulgências eram um bilhete para o céu sendo certo que, para recolher benefícios, a Igreja não contrariava convenientemente esta explicação. No início do séc XVI, o sistema envolvia vastas somas de dinheiro e de interesses financeiros internacionais, agravados pelas circunstâncias de 1517. Para Roma, a venda tornara-se uma fonte de rendimentos regulares e extraordinários. 
          Em 1510, Júlio II lançara a Indulgência do Jubileu, sobretudo para custear a nova basílica de São Pedro. A venda fora iniciada em Magdeburgo em 1515.O responsável eclesiástico local era Alberto de Branderburgo, arcebispo de Magdeburgo, Maiença e Halberstadt. 50% do produto da venda eram para os cofres dos Fuegger que tinham adiantado a Alberto a soma necessária para a compra quer dos bispados quer da dispensa pontifícia que lhe permitia a acumulação de cargos. Aliás, os agentes dos Függer acompanhavam in loco o comissário das vendas, o dominicano Tetzel. E é nesta rede de alta finança que rebenta a afixação das 95 teses Acerca do Poder e Eficácia das Indulgências. As teses são um debate académico em latim, semelhante a tantas outras disputationesuniversitárias da época. Mas insistiam que as indulgências não compram o castigo divino; não abarcam os mortos do Purgatório; e não são justificadas pelo thesaurus meritorum pois só o Espírito divino pode perdoar. A explosão espalha-se a ritmo veloz. Em duas semanas surge a tradução alemã das teses na Imprensa da Universidade de Wittenberg Um mês depois Lutero é, para surpresa sua, uma figura europeia. A venda de indulgências decai. 
          O arcebispo de Magdeburgo queixa-se a Roma. A Cúria ordena ao importuno monge agostinho que se cale. Tetzel, o comissário das indulgências, publica contra-teses. Eck ataca Lutero; este dá a réplica. O Inquisidor Mazzolini escreve Acerca do Poder Pontifício. No capítulo de 1518 em Heidelberg, os Agostinhos discutem a questão e o monge de Wittenbegr responde-lhes por escrito: é instado a ir a Roma. Desce à liça o Eleitor da Saxónia que considera haver uma afronta a um professor da sua Universidade, além de que a Casa de Brandenburgo ocupara bispados tradicionalmente atribuídos a membros da Casa da Saxónia e que ele nem sequer autorizara a venda de indulgências nos seus domínios. O Papa Leão X revoga a convocação de Lutero a Roma pois não convinha ter o Eleitor da Saxónia por inimigo na eleição, já muito próxima, do Imperador da Alemanha; determina que o monge compareça perante o Cardeal Cajetanus na Dieta de Augsburgo. A entrevista com o legado do papa corre mal e Lutero escreve que o tentaram silenciar. Pouco depois, o camerlengo papal Von Miltitz obtém de Lutero a promessa de silêncio desde que o não atacassem. Mas Eck volta de novo à carga, agora com a questão da Igreja Grega, provocando a disputa de Leipzig em 1519. A guerra de panfletos e sermões continua com escritos de ambas as partes. Surge a bula papal Exurge Domine queimada por Lutero em Dezembro de 1520.
          Em três anos, o episódio desenvolvera-se numa revolução nacional-cristã da Alemanha contra Roma tornando quase impossível qualquer compromisso. O ritmo vertiginoso dos acontecimentos impediu a ponderação necessária para resolver questões doutrinárias, feriu todos os sentimentos possíveis e imagináveis e preparou o cisma.


Eric Voegelin

in História das Ideias Políticas, vol. III : Idade Moderna, De Erasmo a Nietzsche,tradução e abreviação de Mendo Castro Henriques, Lisboa, Ática, 1996


95 Teses acerca do Poder e Eficácia das Indulgência


          Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Ver. Padre Martinho Lutero, o que segue. Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem do assunto verbalmente connosco, poderão fazê-lo por escrito. Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém !

1. Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: "Arrependei-vos" etc., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.

2. E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.

3. Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de mortificações da carne.

4. Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.

5. O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.

6. O papa não pode perdoar dívida senão declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.

7. Deus a ninguém perdoa a dívida sem ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.

8. Canones poenitendiales, que são as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas são impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.

9. Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluindo este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema.

10. Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem os moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório afim de ali serem cumpridas.

11. Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, previstas pelas cânones ou estatutos, em penitência ou apenas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.

12. Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecados cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidades de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.

13. Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canónico, sendo, portanto, dispensados, com justiça de sua imposição.

14. Piedade ou amor imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.

15. Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.

16. Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.

17. Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.

18. Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas razões e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram for a da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.

19. Ainda não parece ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós teremos absoluta certeza disto.

20. Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras "perdão plenário de todas as penas" que todo o tormento é perdoado, mas apenas as penas por ele impostas.

21. Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.

22. Com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.

23. Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.

24. Assim sendo, a minoria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.

25. Exactamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura de almas tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.

26. O papa faz muito bem em não conceder o perdão em virtude do poder das chaves ( ao qual não possue ), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.

27. Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.

28. Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro, cresce e aumenta; a ajuda porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.

29. E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que suceder com Santo Severino e Pascoal.

30. Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muitos menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.

31. Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.

32. Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.

33. Há que acautelar-se muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dádiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.

34. Tanto assim, que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.

35. Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.

36. Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.

37. Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.

38. Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.

39. É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pezar.

40. O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo; mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.

41. É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.

42. Deve-se ensinar aos cristão, não ter pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.

43. Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.

44. É que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências porém, não se torna melhor senão mais segura e livre da pena.

45. Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa, mas provoca a ira de Deus.

46. Deve-se ensinar aos cristão que, se não tiverem fartura, fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.

47. Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada.

48. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa de que de dinheiro.

49. Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em consequências delas, se perde o temor de Deus.

50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seus, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgência, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro..4

52. Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.

53. São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.

54. Esperar ser salvo mediante breves de indulgências é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.

55. A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimónia, enquanto o Evangelho, que é essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.

56. Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionadas e nem suficientemente conhecidos na Igreja de Cristo.

57. Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a este não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.

58. Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.

59. São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.

60. Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que este tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.

61. Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.

62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

63. Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros

64. Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabidamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.

65. Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.

66. Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.

67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores com ao mais sublimes graça decerto assim são considerados porque lhes trazem grandes proventos.

68. Nem por isso semelhante indulgência não deixa de ser a mais íntima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.

69. Os bispos e sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência.

70. Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.

71. Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.

72. Quem se levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.

73. Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.

74. Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.

75. Considerar as indulgências do papa tão poderosa, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que ( cousa impossível ) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.

76. Bem ao contrário, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular no que diz respeito à culpa que constitui.

77. Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar São Pedro e o papa.

78. Em contrário, dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederem, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, as virtudes, o dom de curar, etc. , de acordo com o que diz I Coríntios 12.

79. Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfémia.

80. Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.

81. Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.

82. Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para construção da catedral de São Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante insignificante?

83. Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou prebendas oferecidos em favor dos mortos, visto ser injusto continuar a rezar pelos já resgatados?

84. Ainda: Que nova piedade de Deus e do papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga ?

85. Ainda: Por que os cânones de penitência, que de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgências como se continuassem bem vivos e em vigor ?

86. Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é a mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de São Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres ?

87. Ainda: Que ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste direito à indulgência plenária ?

88. Afinal: que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como já o fez cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.

89. Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes ?

90. Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.

91. Se a indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.

92. Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há paz.

93. Abençoados seja, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.

94. Admoestem-se os cristãos a que se empenham em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.

95. E assim esperem mais entrar no reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas. 




João Calvino, criador da Teoria da Predestinação Absoluta

          Ocorrido como um desdobramento da Reforma Luterana, o movimento Calvinista foi uma das principais religiões surgidas durante a Reforma Protestante. A Suíça, criada após sua separação do Império Romano-Germânico, em 1499, teve contato com as idéias de Martinho Lutero através da pregação feita pelo padre Ulrich Zwinglio.

          Ao propagandear as doutrinas luteranas pela Suíça, Zwinglio desencadeou uma série de revoltas civis que questionavam as bases do poder vigente. A prática do zwinglianismo preparou terreno para a doutrina que seria mais tarde criada pelo francês João Calvino. Perseguido em sua terra natal, João Calvino refugiou-se na Suíça com o intuito de disseminar outra compreensão sobre as questões de fé levantadas por Martinho Lutero.

          Segundo Calvino, o princípio da predestinação absoluta seria o responsável por explicar o destino dos homens na Terra. Tal princípio defendia a idéia de que, segundo a vontade de Deus, alguns escolhidos teriam direito à salvação eterna. Os sinais do favor de Deus estariam ligados a condução de uma vida materialmente próspera, ocupada pelo trabalho e afastada das ostentações materiais.

          De acordo com alguns estudiosos, como o sociólogo Max Weber, o elogio feito ao trabalho e à economia fizeram com que grande parte da burguesia européia simpatizasse com a doutrina calvinista. Contando com esses princípios, observamos que a doutrina calvinista se expandiu mais rapidamente que o Luteranismo.

          Em outras regiões da Europa o calvinismo ganhou diferentes nomes. Na Escócia, os calvinistas ficaram conhecidos como presbiterianos; na França como huguenotes; e na Inglaterra foram chamados de puritanos.

Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

ZWINGLIANISMO


Ulrich Zwingli, humanista e reformador suíço.

        Doutrina religiosa de Zwingli, reformador suíço do séc. XVI e precursor da Reforma. Zwingli concordava com reformadores anteriores em uma série de questões, entre as quais a salvação pela fé e não pelas boas obras, a supremacia da Bíblia como a única fonte autorizada para o Cristianismo e o sacerdócio universal de todos os crentes.



         O zwinglianismo distingue-se do Luteranismo por seu humanismo e radicalismo. Opõe-se às formas rituais e tende a confundir Igreja e Estado. Lutero e Zwingli discordavam principalmente quanto à ceia do Senhor. Lutero encarava esse sacramento como um meio pelo qual Deus dava ao povo Sua graça. Zwingli considerava a ceia do Senhor uma ação de graças pela graça já dada por Deus de outras maneiras, especialmente por meio do dom divino do Evangelho.







Menno Simons converteu-se ao movimento “Anabatista” em 1536. Viajou por todo o Noroeste da Europa animando e apoiando aos perseguidos, por meio da pregação, bem como escrevendo tratados que defendiam a fé e estilo de vida que aqueles, que haviam abraçado a nova fé, levavam. Ainda sendo um sacerdote católico no princípio, Menno Simons se encontra fazendo pergunta a si mesmo como nunca o havia feito antes. Foram três as razões da sua conversão ao “protestantismo”: A transubstanciação (conversão do pão no corpo de Cristo), o anabatismo (o segundo batismo), e o testemunho pessoal de seu irmão. Menno Simons escreveu quase duas dúzias de livros e, folhetos que foram de grande ajuda para a dispersa e às vezes confundida irmandade. Se bem que, dizem muitos dos historiadores, Menno Simons não foi um grande teólogo, nem um grande escritor, nem um grande organizador, porém, foi um líder que pregou a Bíblia de forma autoritária e com clareza. Muito se pode dizer quanto ao valor destes escritos nesta época em relação ao protagonista e ao escritor. A relação do que se traduziu do holandês para o inglês e em seguida para o espanhol, estes fatores fazem com que o livro seja o que é um livro de riqueza espiritual e histórica. Têm-se que destacar que a ênfase da igreja no mundo da tinta e do papel hoje é diferente, as estatísticas são mais destacadas do que o esforço individual. Mas este livro nos faz refletir, que apesar de que hoje em dia não sejam mencionados líderes como Menno Simons, não se descartam a sua existência e o presente será a testemunha da posteridade.

O quanto à igreja tem sido edificada por este exemplo é difícil dizer. A igreja continua crescendo graças a líderes que, como Menno Simons, fazem perguntas, reflexionam e “colocam a sua mão no arado” e este livro é parte desse testemunho. Desde 1936, quando se traduziu o livro do inglês para o espanhol, a igreja Menonita hispânica tem crescido. Com este crescimento, foi trazida para o movimento “Anabatista”, iniciado no século XVI, uma nova dimensão que não pode e nem poderá ser ignorada. Se bem que a história se repete, se repete com modificações. Os protagonistas não são os mesmos e por tal razão a história não é a mesma. A única coisa que é idêntica é a mensagem do “Evangelho de paz e salvação”, que, comoveu a Menno Simons em 1536 e comove a líderes como ele hoje em dia.  
Agradecemos a Carmen Palomeque pelo seu esmerado trabalho de tradução ao espanhol, a comissão encarregada do projeto de publicação e além de terem feito este livro uma realidade.

Arnoldo J. Casas
22 de novembro de 1978
Elkhart, Indiana

O sacerdote católico


Em 1496, quatro anos depois do descobrimento da América, nasceu um menino numa família de aldeões holandeses que viviam no pequeno povoado de Witmarsum na província de Friesland ao noroeste da Europa continental. O pai, cujo nome era Simón, chamou ao seu filho Menno; de acordo com o costume daquela época, ao menino chamavam Menno Simons (O filho de Simón). O povoado de Witmarsum está situado numa planície fértil, a meio caminho entre as cidades de Franeker e Bolsward, distante umas 10 (Dez) milhas do Mar do Norte. Bem cedo os pais de Menno Simons decidiram consagrar o seu filho ao serviço da Igreja, a Igreja Católica, e preparando-o para este serviço, confiaram-no a custódia do monastério mais próximo de seu lar, provavelmente o Monastério Franciscano de Bolsward. Devido a isto, consagrou-se durante longos anos aos exercícios espirituais requeridos para um monge e ao tradicional curso de estudos teológicos exigidos aos candidatos ao alto ofício de sacerdote. Durante estes anos de estudo, aprendeu muito bem a ler e a escrever o latim; aprendeu também o grego e chegou a conhecer bem muitos manuscritos antigos em latim, especialmente os dos Pais da Igreja, como Tertuliano, Cipriano e Eusébio. Mas omitiu-se por completo de ler o maior de todos os livros: A Bíblia. Até depois de dois anos da sua ordenação para o sacerdócio, não se animou, com muita excitação a abrir as capas do volume proibido.
1 - A ordenação de Menno Simons para o sacerdócio católico ocorreu no mês de março de 1524, aos 28 anos de idade, provavelmente na cidade de Utrecht, localidade da diocese de Utrecht que incluía praticamente toda a atual Holanda na sua jurisdição. Sua primeira designação foi à cura ajudante no povoado de Pingjum, próximo de seu povoado natal de Witmarsum. Ali oficiou por sete anos (1524-31) em segundo lugar entre os três párocos. Em 1531, Menno foi transferido ao seu povoado natal, onde oficiou como cura pároco até janeiro de 1536, quando declinou o seu serviço na Igreja Católica para unir-se ao pequeno grupo de devotos irmãos evangélicos sob a direção de Obbe Philips, conhecidos pelo nome de Anabatistas ou Obbenitas. Os doze anos de serviço de Menno Simons na Igreja Católica transcorreram aparentemente, até onde é dado apreciar ao homem, no desempenho do círculo ordinário de obrigações de um sacerdote católico num pequeno povoado. Ocupava o seu lugar nas devoções regulares da Igreja, cumprindo com a alta cerimônia da missa tanto como com os outros ritos e cerimoniais. Rogava pelos vivos e pelos mortos, batizava os filhos de seus paroquianos, consagrava matrimônios, recebia confissões, administrava penitências e em ocasiões pregava breves sermões referentes à devoção dominical da congregação. Como os típicos sacerdotes de povoados da sua época não levavam o seu ofício e nem a sua vida muito a sério. Dedicava pouco tempo ao estudo, e ao contrário disso, como ele mesmo confessou, reunia os sacerdotes subalternos para “jogar cartas, beber e outras frivolidades de todo tipo, como era o costume de homens tão inúteis”. Mas as aparências exteriores não mostram toda a história da vida de Menno durante os doze anos de seu sacerdócio. Bem cedo certas dúvidas a respeito de alguns dogmas da igreja começaram a atormentar a sua consciência,
2 -  A sua vida se tornava claramente mais miserável pela luta secreta interior que não cessou até o rompimento dos laços que o unia com a Igreja Católica, quando partiu publicamente para a fé e liberdade do Evangelho. Vamos descrever esta luta que duraram onze anos.  No primeiro ano do sacerdócio de Menno, em 1525, o mesmo ano que Conrad Grebel e sua irmandade fundavam a Igreja Menonita em Zurique (Suíça), uma séria dúvida começou a perturbar a vida frívola e despreocupada da sua cerimoniosa religião. Enquanto celebrava a missa, subitamente ocorreu-lhe a idéia da possibilidade de que o pão e o vinho não se transformavam no ato no corpo e no sangue do Senhor como tinha ensinado ao povo. A princípio rejeitou o pensamento como inspirado pelo demônio; mas não pôde livrar-se da dúvida mesmo recorrendo ao confessionário. Não se sabe claramente como Menno Simons chegou a duvidar do dogma da transubstanciação como era observado pela Igreja Católica. Possivelmente entrou em contato com os ensinos de Martinho Lutero ou de outros reformadores de alguma forma, seja por livros ou pela circulação de tais idéias de boca a boca. Já no ano de 1521, um holandês chamado Hoen, havia começado a ensinar que os elementos da Ceia do Senhor não se transformavam, mas que eram meros símbolos do sofrimento e da morte de Cristo. Mesmo que Menno tenha lido os escritos de Hoen ou não, o fato de que a dúvida a este respeito existia na sua mente é uma evidência da influência que a Reforma havia começado a exercer na distante Friesland, pois a atitude para com a missa era a pedra de toque na nova heresia evangélica. Por cerca de dois anos Menno esteve atormentado por dúvidas a respeito da missa, antes de encontrar algo que o orientasse.
3 - Finalmente decidiu procurar tranqüilidade por meio de uma diligente investigação no Novo Testamento. Esta decisão foi um dos grandes passos na vida de Menno. Com efeito, foi o passo decisivo que certamente o levaria a conversão final, pois o princípio fundamental da Reforma e do próprio Evangelho é que somente a palavra de Deus é a autoridade como fonte da verdade para fé e vida. A determinação de Menno Simons de buscar nas Escrituras para resolver as suas dúvidas a respeito da missa, não significava uma decisão de abandonar a autoridade da Igreja, pois provavelmente ele esperava encontrar nas Escrituras uma confirmação para os ensinos da Igreja. O verdadeiro problema surgiu quando Menno, tendo decidido abrir a Bíblia, descobriu que não continha nenhuma das doutrinas tradicionais a respeito da missa. Por meio desta descoberta, o seu conflito secreto chegou ao clímax, pois foi compelido a decidir qual das duas autoridades seria suprema na sua vida: a Igreja ou as Sagradas Escrituras. Havia sido ensinado pela Igreja que não crer nas suas doutrinas significava morte eterna. O quê devia fazer? Afortunadamente, como ele próprio repete, encontrou ajuda nas obras de Martinho Lutero, pois este dizia que a violação dos mandamentos dos homens nunca pode conduzir a morte eterna. Não se sabe em qual dos escritos de Lutero encontrou isto. Menno, possivelmente no folheto de 1518, “Instrução em vários assuntos”, ou talvez na importante obra escrita em 1520, intitulada “A Liberdade Do Cristão”. Quando Menno Simons aceitou o ponto de vista de Lutero e se atreveu a negar o dogma da transubstanciação, tal como o observa a Igreja Católica, porque as Escrituras não o ensinam, encontrou a forma de evadir-se das dúvidas e lutas, uma forma de libertar a sua consciência.
4 – A sua alma da morte eterna. Mas fazendo isto, entrava inevitavelmente no caminho que o levaria para fora da Igreja Católica, visto que acatar as Escrituras em todo assunto de consciência equivalia a desprezar os princípios fundamentais do catolicismo. Não obstante, ao fazer a sua decisão com respeito a missa, Menno não seguia o ensino de Lutero; ao contrário, expunha a sua própria interpretação da Ceia do Senhor; não tornou-se luterano em nenhum momento. O que sempre agradeceu a Lutero foi o princípio fundamental de considerar as Sagradas
Escrituras sobre qualquer outra autoridade humana. A decisão de Menno de seguir as Escrituras ocorreu provavelmente por volta do ano de 1528. Isto não o levou ao imediato abandono da Igreja Católica, pois a princípio discordava com ela unicamente no que se referia a missa, e não duvidava que poderia continuar sendo um católico leal e ensinar um novo ponto de vista dentro da Igreja. Assim, pois, como todos os outros reformadores não se precipitaram em mudar a sua afiliação da Igreja. Semelhante mudança teria significado o abandono de uma boa posição com a sua generosa entrada, e Menno “amava demais o mundo, e o mundo a ele”, como dizia mais tarde, para dar um passo tão radical. O fato é que estava ainda longe de uma compreensão real do Evangelho, longe de uma conversão espiritual.
Os anos subseqüentes, desde 1528 a 1531, foram, no entanto, anos de gradual iluminação. Ele disse sobre as suas experiências durante este tempo: “pela iluminação e pela graça do Senhor cresci no conhecimento das Escrituras e logo fui considerado por alguns, ainda que imerecidamente, como um pregador evangélico, a saber, alguém que prega sermões baseados nas Escrituras”. Alguns começaram a recorrer a ele “porque se dizia que pregava a Palavra de Deus e era um bom homem”.
5 - O progresso de Menno no Evangelho foi lento. Um dos pilares de sua fé católica havia sido derrubado: a missa; mas, no entanto, continuava sem nenhum temor celebrando-a como antes. Aparentemente era ainda um sacerdote leal. Ele nunca teria abandonado a Igreja Católica se um segundo ponto de sua fé católica não tivesse vindo abaixo: o batismo. A queda deste segundo pilar ocorreu gradualmente. É muito provável que tenha começado com a leitura do livreto de tal Billican, pregador na cidade de Nördlingen, ao sul da Alemanha, que advogava pela liberdade da idade para o batismo; pelo menos, Menno se refere a um livro sobre o batismo de certos pregadores de Nördlingen. O livro emprega argumentos dados por Cipriano, um dos Pais da primitiva Igreja latina do norte da África. A princípio, Menno prestou pouca atenção quanto a esta questão, mas se viu obrigado a pensar seriamente sobre o batismo no ano de 1531, enquanto estava ainda em Pingjum, a raiz de um estranho episódio na vizinha cidade de Leewarden. Em 20 de março de 1531, certo alfaiate chamado Sicke Freerks, foi executado publicamente nesta cidade pela única razão de ter sido batizado pela segunda vez. “Soava estranho aos meus ouvidos, disse Menno, que se falasse de um segundo batismo.” Mais estranho ainda pareceu-lhe quando se inteirou de que o tal Freerks era um homem piedoso e temente a Deus, e que não acreditava que as Escrituras ensinavam que as crianças devessem ser batizadas, mas que ensinavam que o batismo deve ser administrado únicamente aos adultos, sobre a confissão de sua fé pessoal. Freerks, um alfaiate ambulante que havia sido batizado na cidade de Emden, no leste de Friesland, por volta do final do ano de 1530, por um pregador chamado Juan Volkerts Trypmaker, que por sua vez havia sido 6batizado e designado pregador na mesma cidade, por volta do começo do ano de 1530, por certo pregador leigo luterano chamado Melchior Hofmann. Comentava-se, além disso, que Hofmann havia sido batizado recentemente pelos “Anabatistas” de Estrasburgo. De qualquer forma, começou na data de 1530, a pregar o novo batismo e outras doutrinas similares dos “Anabatistas” tendo a Emden como ponto de partida. Deve-se mencionar que o Corpo principal de “Anabatistas” de Estrasburgo, tanto como o da Suíça, nunca teve nada que ver com Hofmann. Pelo contrário; em 1538, em discussão pública com os dirigentes da Igreja Reformada de Berna, Suíça, certos líderes “Anabatistas” suíços repudiaram publicamente toda relação com Hofmann. Este pregava algumas doutrinas fanáticas acerca da segunda vinda de
Cristo e o estabelecimento de um reino terreno de Deus em Estrasburgo, além de dar estranhas interpretações para as profecias, inclusive designando a si próprio como o segundo Enoque.
6 - As doutrinas por ele ensinadas eram claramente perversões do Evangelho, originadas na sua fecunda imaginação, doutrinas que não havia aprendido de Lutero, nem de Zwinglio, nem dos “Anabatistas”, nem de nenhum outro pregador evangélico. Portanto, não se pode chamar a Hofmann de “Anabatista” no mesmo sentido que aos Irmãos suíços ou aos Menonitas, apesar de que pregou o batismo sobre a confissão de fé, em vez do batismo de crianças pequenas. Menno Simons não sabia nada disto quando soube da execução de Sicke Freerks. O que deve ter comovido a sua mente foi o fato de que alguém estivesse disposto a morrer por causa de um “segundo batismo”. Era possível que a Igreja Católica estivesse equivocada com respeito ao batismo, como o estava em relação a missa? Uma vez mais o sacerdote Menno se encontrava com um conflito.
 7 - em sua consciência, causado pela nova dúvida que acabava de surgir. Mas desta vez já sabia como encontrar a solução para o seu problema; como pregador evangélico recorreu de novo a Bíblia em busca de luz. Ali, por muito que procurasse não podia encontrar bases para o batismo de crianças pequenas. Por último recorreu em procura de ajuda a seu superior, o presbítero de Pingjum. Este admitiu depois de repetidas discussões com Menno, que o batismo infantil não tem fundamento bíblico, mas insistiu em que a razão aconselhava que fosse conveniente e justificado. Mas Menno, que havia aprendido a aceitar o que as Escrituras diziam, não estava disposto a “crer na sua razão” únicamente; portanto foi mais longe na procura de ajuda, desta vez investigando diligentemente o que os Pais da Igreja haviam dito a respeito. Estes afirmavam que as crianças necessitavam do batismo para limpar-se do pecado original. Mas comparando Menno estes ensinos com as Escrituras encontraram uma verdadeira contradição, pois estas ensinavam que o sangue de Cristo, o Redentor, e não a água do batismo é o único que limpa do pecado. Os Pais da Igreja estavam, portanto, equivocados. Como último recurso Menno recorreu aos evangelistas contemporâneos, os Reformadores. Todos eles ensinavam que as crianças deviam ser batizadas, ainda,  que mostrando para isto diferentes razões. Lutero insistia que as crianças podiam ter fé, ao menos delegada a outros, e que deviam ser batizadas na base desta fé. Butzer de Estrasburgo exigia que as crianças fossem batizadas como garantia de que seriam criadas nos caminhos do Senhor, enquanto que, Bullinger da Suíça, argumentava que as crianças deviam ser incorporadas ao povo do novo pacto mediante o batismo, assim como os judeus eram incorporados no seu povo mediante a circuncisão. Mas apesar das várias razões apresentadas, Menno observou que todos omitiam dar provas bíblicas para o batismo de crianças pequenas; cada qual seguia o seu próprio critério.
8 - Havendo chegado ao final da sua intensa busca sem encontrar provas que apoiassem o batismo de crianças na Palavra de Deus, Menno chegou a conclusão de “que todos estavam equivocados a respeito” - a Igreja Católica, os sacerdotes de Pingjum, os Pais da Igreja, os Reformadores, e que somente o batismo sobre a confissão de fé era bíblico. Esta importante determinação foi a mais significativa na carreira de Menno Simons porque ela selou a ruptura com a Igreja Católica e o levou por último ao círculo dos “Anabatistas”. A salvação pelo sacramento do batismo é a pedra angular sobre a qual está constituído todo o sistema da religião católica; é possível permanecer católico ainda negando a doutrina da transubstanciação, mas como se pode manter a fé numa Igreja cujo meio essencial de salvação é negado? Por outro lado, únicamente os
“Anabatistas” entre os grupos religiosos dessa época, negavam a necessidade do batismo para crianças e baseavam a condição como membro da Igreja numa experiência pessoal de salvação, da qual a água do batismo constituía um mero símbolo exterior; portanto, Menno algum dia encontraria o meio de chegar até eles. No entanto esta crítica determinação ocorrida aparentemente no ano de 1531, não levou a Menno a uma imediata ruptura com a Igreja na qual exercia o sacerdócio e da qual conseguia o seu sustento. Passariam cinco anos mais, antes que a separação ocorresse. A pesar de que, como Menno afirma enfaticamente, suas novas crenças relativas ao batismo (assim como a anterior mudança de interpretação da Ceia do Senhor) as havia recebido depois do estudo das Sagradas Escrituras sob a direção do Espírito Santo, pela graça de Deus, suas recentes convicções não o levaram a uma ação imediata. Parece 9que havia pequenos grupos de “Anabatistas” na vizinhança, mas Menno Simons não se associou com eles.
9 - Ao contrário, quando ofereceram a promoção ao cargo de cura de Witmarsum, aceitou sem vacilar. As grandes vantagens que lhe atribuíam. Moviam o seu “afã de lucrar” disse Menno e continuou sem temor, na vida dupla de “hipócrita”, continuando no ofício da missa e no batismo de crianças. O próprio Menno explica o motivo da sua debilidade, pois disse que apesar de seu conhecimento das Escrituras, não frutificava devido a sua vida carnal. Aquilo que havia mudado a sua mente, não havia afetado o seu coração; a Palavra de Deus ainda não estava nele. Ele próprio descreve a hipocrisia da sua vida nesses dias com palavras duras: “Confiando na graça, procedia como um malvado. Era como uma sepultura cuidadosamente branqueada. Exteriormente, para os homens, eu era moral, casto, generoso; nada poderia desaprovar-me. Mas interior mente estava cheio de ossos de mortos. Procurava a minha própria comodidade e honra mais zelosamente do que a Tua justiça honra verdade e a Tua Palavra.” A oposição entre a convicção e a prática no que se refere ao batismo e a Ceia do Senhor não deixou ao novo pastor de Witmarsum em repouso mais do que a antiga cura de Pingjum. A consciência de Menno o condenava continuamente e sofria por causa deste constante conflito secreto. O assunto do batismo tornou-se novamente atual por volta do um ano depois da chegada de Menno a Witmarsum, pela entrada de alguns “Anabatistas” na comunidade. Menno disse que ele nunca viu as pessoas que “haviam rompido com a Igreja com respeito ao batismo”, não soube onde estavam nem de onde vinham. Menno ainda permanecia inativo.
10 - Finalmente ocorreu um fato mais grave na sua paróquia, quando alguns da seita de Münster chegaram a Witmarsum e “enganaram a muitas almas piedosas do nosso povoado”. Isto ocorreu em 1534, pois o governo revolucionário de Münster não se instalou até fevereiro do mesmo ano.  O grave erro da “perversa seita de Münster” como ele a chama repetidas vezes, foi uma questão séria para Menno. Visto que o enorme dano causado pelos Münsteritas foi a causa final para a ruptura de Menno com o
Catolicismo e a sua adesão aos “Anabatistas”, e visto que a luta contra esse movimento fanático por todos os meios ao seu alcance foi à preocupação principal de Menno durante os anos de 1534 e 1535, será bom fazer uma breve resenha das características do Münsterismo. Jan Matthys, um padeiro pouco instruído, mas presunçoso, de Kaarlem, Holanda, foi um membro do pequeno grupo de seguidores de Melchior Hofmann que havia organizado os “Melchioritas” no ano de 1531. Quando Hofmann foi feito prisioneiro em Estrasburgo em maio de 1533, perdendo, por conseguinte a condução de seus seguidores, certos elementos indesejáveis começaram a adquirir influência e gradualmente a assumir a direção do grupo. Matthys foi o principal deles. Tinha uma poderosa personalidade, cheio de ódio para com as classes superiores e possuidor de uma imaginação capaz de maquinar os mais fantásticos atos. Teve êxito ao fazer recair o comando sobre si mesmo, arrastando a muitos dos Melchior itas consigo a um programa radicalmente revolucionário; no entanto, alguns como os irmãos Obbe e Dirk Philips de Leewarden e outros, rejeitaram plenamente as estranhas novas doutrinas de Matthys desde o princípio e recusaram ter alguma coisa a ver com ele, apesar de serem ameaçados com perseguições.
11 - Com efeito, Obbe Philips tomou a direção do grupo de Melchioritas que rejeitavam as estranhas tendências de Hofmann, assim como as de Matthys e trataram de construir a sua fé baseados únicamente numa sã interpretação das Escrituras. Enquanto isso, Jan Matthys percebeu que a classe trabalhadora evangélica da cidade de Münster em Westfalia, ao noroeste da Alemanha havia sacudido a dominação das classes altas, inclusive a do Bispo Católico. Aguilhoado pela idéia de que isto lhe ofereceria a oportunidade de assentar uma base segura para a sua campanha contra as “ímpias” classes enaltecidas, mandou imediatamente agentes que conseguiram predispor a seu favor aos “pregadores evangélicos” Rothman e Roll em janeiro de 1534. Rapidamente o próprio Matthys foi para a cidade, tomando-a sob o seu controle com a delirante e histérica aprovação da população e prometendo estabelecer o reino de Deus na terra, a nova Jerusalém. Quando foi morto, João de Leiden tomou o seu lugar e constituiu a si próprio como rei. A assombrosa doutrina anunciou então que, visto que o reino de Deus havia chegado, a justiça seria administrada aos infiéis pelos crentes e membros do novo reino. Mandaram “Apóstolos” em quantidade desde Münster convidando aos “crentes” de todas as partes a comparecer na Nova Jerusalém e a participar de suas bênçãos. Milhares acreditaram no anúncio e aceitaram o convite de imediato, e ainda que muitos deles fossem presos no caminho, centenas chegaram na cidade. No entanto a duração do reinado de Münster não seria muito comprida; o sítio em volta da cidade, ordenado pelo exército do Bispo de Münster em março de 1534 conduziu na captura e derrubada do “Reino” em junho de 1535, depois de terríveis sofrimentos e indescritíveis cenas de brutalidade.

12 - Infelizmente, a doutrina de vingança e de destruição dos infiéis pelos crentes, havia aumentado nos círculos dos Melchioritas primitivos da Holanda, e, portanto, organizaram revoluções e conspirações em outros lugares fora de Münster com os desastres conseguintes. O terrível veneno do fanatismo revolucionário de Jan Matthys e de João de Leiden continuou na sua ação implacável entre os perseguidos e maltratados Melchioritas da Holanda. Menno Simons entrou em contato com a “perversão Münsterita” no ano de 1534. Algumas das almas mais pias e devotas entre os seus paroquianos, sem dúvida, algumas daquelas que haviam sido influenciadas pelas suas pregações e com as quais se sentia espiritualmente identificado, foram arrastadas pelo fanático erro dos Münsteritas. Até o seu próprio irmão se encontrava entre eles. Apesar de que Menno havia adotado o princípio do batismo de adultos, não podia nem suportar a idéia de ter algo em comum com os Münsteritas. Admitia que tivessem um zelo elogiável, mas declarava que cometiam graves erros em seus ensinos. Afetou-o profundamente ver que estas abomináveis doutrinas encontravam adeptos entre os seus paroquianos e decidiu entregar-se completamente para combatê-los.  A luta contra a influência Münsterita foi a preocupação principal de Menno por cerca de um ano. Colocava tanta energia na acusação pública que deles fazia em seus sermões, que logo conquistou a fama de hábil para “calar muito bem a voz de seus inimigos”. Em suas visitas pastorais procurava não somente salvaguardar aos que estavam em perigo e enganados, mas também resgatar aqueles que haviam deslizado. Conseguiu também, celebrar uma conferência secreta e uma pública com “dois pais da perversa seita”. Finalmente Menno decidiu levar além aquela luta, escrevendo. O resultado de seus esforços
13 - foi um folheto, escrito provavelmente a princípios de 1535, ainda que impresso pela primeira vez em 1627, sob o título: “Prova clara e indubitável, baseada nas Sagradas Escrituras contra a abominável e terrível blasfêmia de João de Leiden.” Neste folheto, Menno ataca vigorosamente o enaltecimento do “Rei” João a uma autoridade divina, e prova que o uso de armas pelos Münsteritas era um grave pecado, contrário a vontade de Deus para a Igreja e contrário também ao espírito de Cristo. Apelava aos verdadeiros cristãos de todas as partes a separar-se de tais abominações e a seguir o exemplo de Cristo.



A reforma anglicana

          Ficou conhecida pelo nome de reforma anglicana a decisão do rei inglês rei Henrique VIII, de mudar a religião oficial do país, tornando oficial uma igreja criada especialmente para tal propósito, com ritos similares ao do catolicismo, mas que teria como chefe supremo o monarca inglês no lugar do papa.



          O aspecto político das reformas teve, na Inglaterra, sua manifestação mais evidente. O próprio fato de a reforma religiosa ter sido conduzida diretamente pelos reis ingleses serve como comprovador dessa visão.


          A dinastia Tudor nasceu num quadro de fortalecimento do poder real na Inglaterra, após o esmagamento dos setores dissidentes da nobreza na Guerra das Duas Rosas. O primeiro rei Tudor, Henrique VII, procurou consolidar esse poder, esbarrando, entretanto, no forte poder político e econômico exercido pela Igreja Católica no país.

         Foi o seu filho, Henrique VIII, quem vislumbrou a oportunidade de se voltar contra esse poder. Em meio à crise provocada na Alemanha pelo movimento luterano, Henrique VIII, aproveitou-se do momento favorável para estabelecer um confronto com o papado.



          Uma questão política e dinástica

          A razão ostensiva para esse confronto liga-se a uma questão política e dinástica. Casado com a nobre espanhola, Catarina de Aragão, Henrique VIII tivera com ela uma filha, Mary. Impossibilitada de ter outros filhos, Catarina criava uma situação potencialmente perigosa para a monarquia inglesa. Sem filhos homens (o trono inglês jamais fora ocupado até então por uma mulher), Henrique VIII alegava o risco de morrer sem um herdeiro, o que tornava o rei da Espanha e Imperador do Sacro Império, Carlos V, sobrinho de Catarina, um dos pretendentes ao trono inglês.
          Alegando a imperiosa necessidade de um herdeiro, Henrique solicita ao papa a anulação de seu casamento com Catarina. Tratava-se de uma manobra obviamente destinada a criar um confronto. Henrique tinha plena consciência de que o papa jamais iria se indispor contra Carlos V, seu principal aliado na luta contra Lutero.
          Ante a recusa papal, Henrique VIII anulou por conta própria seu casamento, desposando, em seguida, Ana Bolena. Excomungado pelo papa, Henrique VIII reagiu, em 1534, com o Ato de Supremacia, por meio do qual ele criou uma Igreja nacional chamada Igreja Anglicana ou Igreja da Inglaterra, da qual era o chefe. Confiscou ainda os bens do clero católico na Inglaterra, distribuindo-os especialmente entre a gentry, a camada de pequenos e médios proprietários rurais, o que lhe assegurou uma ampla base de apoio.
          Henrique não fez mudanças no culto. Elas foram obra de seu filho, Eduardo 4º, que, em 1549, impôs o Livro de Orações Comuns, em inglês, e em 1553 suprimiu a missa e o celibato clerical.
          A Reforma anglicana completou-se no reinado de Elizabeth I (1558-1603) com a Lei dos 39 Artigos (1563). Adotou-se o calvinismo como conteúdo doutrinário, mas manteve-se a forma católica, preservando-se a hierarquia episcopal e parte da liturgia.

          Logo após é instituído o anglicanismo, onde o rei é reconhecido como chefe supremo da igreja da Inglaterra. Mediante juramento, os ingleses deviam submeter-se ao rei e não ao papa, para evitarem perseguições da justiça ou serem mesmo excomungados. A resistência a tais mudanças foi mínima, com destaque para Tomas More, o autor do livro Utopia, que recusou a conversão e foi executado.
          Os sucessores de Henrique VIII teriam, porém, que lidar com uma série de lutas religiosas internas. No governo de Eduardo VI (1547-1553), tentou-se implantar o calvinismo no país. Depois, com Maria Tudor (1553-1558), filha de Catarina de Aragão, ocorre a reação católica. O casamento da rainha com o católico Felipe II da Espanha faz da reforma religiosa uma questão nacional. Em 1559 a rainha Elizabeth I renova a soberania da coroa sobre a igreja e ratifica a liturgia anglicana, com a mistura de elementos do catolicismo e da doutrina calvinista reformada.
          A Igreja da Inglaterra deixou de ser católica romana para ser católica reformada. Contribuiu decisivamente para que a reforma de Henrique sobrevivesse o Arcebispo de Cantuária, Thomas Cranmer, mentor teológico da reforma e elaborador do Livro de Oração Comum, que contém a Liturgia básica utilizada na Igreja Anglicana e que no reinado de Elizabeth se torna o líder máximo dos anglicanos.

Fontes
:
 http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/reformas-religiosas-4-a-reforma-anglicana.htm Gilberto Salomão formado em história pela USP, é professor do Curso Intergraus e autor dos livros de história do Sistema de Ensino Poliedro.

http://www.infoescola.com/historia/reforma-anglicana/



Um comentário:

Anônimo disse...

Isso tudo e não falam de PEDRO?

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